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Preço do feijão carioca recua com avanço da colheita e compradores mais cautelosos

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O mercado brasileiro de feijão carioca encerrou a semana em um cenário de ajuste de preços, após a expressiva valorização observada ao longo de maio. A combinação entre aumento gradual da oferta, avanço da colheita no Paraná e postura mais conservadora dos compradores reduziu o ritmo das negociações e pressionou as cotações em diversas regiões produtoras.

Segundo análise da Safras & Mercado, a liquidez permaneceu limitada durante a semana, com indústrias e empacotadoras atuando apenas para reposição imediata, evitando a formação de estoques em um ambiente de maior disponibilidade de produto.

Colheita paranaense muda dinâmica do mercado

O principal fator de pressão sobre os preços foi a entrada gradual da nova safra do Paraná, importante produtor nacional de feijão. O aumento da oferta elevou a concorrência entre regiões produtoras e reforçou a percepção de maior disponibilidade no curto prazo.

De acordo com o analista Evandro Oliveira, o mercado passou a operar em um ambiente de descoberta de preços, com compradores testando valores inferiores aos praticados nas semanas anteriores.

“A postura cautelosa da demanda passou a ditar o ritmo do mercado, ampliando a pressão sobre as referências comerciais”, destaca o analista.

Mesmo sem excesso de produto, o aumento das sobras e a ampliação das opções de compra reduziram o poder de negociação dos vendedores.

Qualidade volta a ser fator decisivo na formação dos preços

Com o mercado mais seletivo, a qualidade dos lotes voltou a exercer papel determinante na precificação.

Feijões de padrão superior continuam encontrando melhor aceitação e remuneração, enquanto mercadorias com escurecimento, manchas ou elevado percentual de grãos quebrados enfrentam maiores dificuldades de comercialização.

Nos principais polos produtores, os preços apresentaram recuo:

  • Feijão carioca extra
    • Interior de São Paulo: cerca de R$ 450 por saca
    • Noroeste de Minas Gerais: aproximadamente R$ 440 por saca
  • Feijão carioca intermediário
    • Interior de São Paulo: em torno de R$ 427 por saca
    • Noroeste de Minas Gerais: cerca de R$ 419 por saca
    • Paraná: entre R$ 368 e R$ 386 por saca
    • Mato Grosso: entre R$ 368 e R$ 386 por saca
Feijão preto também perde força após sequência de altas

O mercado do feijão preto seguiu trajetória semelhante e registrou redução no ritmo dos negócios durante a semana. Após fortes valorizações acumuladas em maio, os compradores passaram a atuar de forma mais defensiva, pressionando as pedidas e dificultando a sustentação de novos aumentos.

Apesar da correção recente, os fundamentos do mercado seguem relativamente mais ajustados quando comparados ao feijão carioca.

“O movimento observado foi de acomodação dos preços, acompanhado por maior seletividade dos compradores e dificuldade para validação de novos patamares de valorização”, explica Oliveira.

Geadas no Paraná seguem no radar do mercado

As condições climáticas continuam sendo um dos principais fatores de atenção para os agentes da cadeia produtiva.

O mercado monitora os impactos das geadas registradas recentemente no Paraná, principalmente em áreas semeadas mais tardiamente, durante o mês de fevereiro.

As lavouras afetadas encontram-se em fases sensíveis do ciclo produtivo, incluindo floração e enchimento de grãos, o que aumenta os riscos de perdas.

Informações preliminares apontam possibilidade de danos entre 15% e 20% em áreas específicas. No entanto, ainda não há confirmação de quebras generalizadas na produção estadual.

Os próximos levantamentos de campo deverão fornecer um diagnóstico mais preciso sobre os impactos na produtividade e na qualidade da safra.

Preços do feijão preto devolvem parte dos ganhos recentes

As negociações que anteriormente se aproximavam de R$ 280 por saca passaram a ocorrer predominantemente entre R$ 250 e R$ 265 por saca.

As referências FOB registradas na semana indicam:

  • Interior de São Paulo: próximo de R$ 260 por saca
  • Paraná: entre R$ 230 e R$ 240 por saca
  • Santa Catarina: entre R$ 230 e R$ 240 por saca

Apesar da recente acomodação dos preços, as incertezas relacionadas ao clima e à oferta futura continuam sustentando a atenção do mercado para o segundo semestre.

Caso as perdas provocadas pelas geadas sejam confirmadas nas próximas avaliações, o feijão preto poderá voltar a encontrar suporte para novas valorizações ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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