As exportações brasileiras de algodão em bruto aceleraram fortemente em maio de 2026 e já superam com ampla margem todo o desempenho registrado no mesmo período do ano passado. Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que a média diária de embarques cresceu 67,8% nos primeiros 15 dias úteis do mês na comparação anual.
O avanço reforça a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional, mesmo em um cenário de pressão sobre os preços globais da fibra e maior cautela nas negociações internas.
Volume exportado já supera total embarcado em maio de 2025
Segundo os números oficiais, o Brasil exportou 230,339 mil toneladas de algodão em bruto até o momento em maio de 2026. O resultado já supera o volume total registrado em maio de 2025, quando foram embarcadas 192,204 mil toneladas ao longo de 21 dias úteis.
A média diária de exportações saltou de 9.152,6 toneladas no ano passado para 15.356 toneladas neste mês, consolidando um forte ritmo de embarques da fibra brasileira.
O crescimento do volume exportado também elevou significativamente a receita obtida com as vendas externas.
Receita das exportações avança mais de 60%
De acordo com a Secex, a média diária de faturamento das exportações de algodão alcançou US$ 23,681 milhões em maio de 2026, avanço de 60,7% frente aos US$ 14,738 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Com isso, a receita acumulada com os embarques da pluma já soma US$ 355,215 milhões nos primeiros 15 dias úteis do mês.
O valor supera o faturamento total obtido em maio de 2025, quando o Brasil arrecadou US$ 309,489 milhões durante os 21 dias úteis daquele mês.
Preço médio da tonelada recua no mercado internacional
Apesar do crescimento expressivo no volume exportado e no faturamento total, os preços médios do algodão brasileiro apresentaram queda na comparação anual.
O valor médio da tonelada exportada recuou de US$ 1.610,2 em maio de 2025 para US$ 1.542,1 neste mês, redução de 4,2%.
A retração acompanha o comportamento recente do mercado internacional da fibra, influenciado por fatores climáticos, financeiros e energéticos.
Petróleo e clima nos EUA pressionam cotações do algodão
Nesta segunda-feira, não houve negociações na Bolsa de Nova York devido ao feriado do Memorial Day nos Estados Unidos. Ainda assim, o mercado segue atento aos fundamentos que vêm pressionando as cotações da pluma nas últimas semanas.
Em boletim de mercado divulgado recentemente, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão destacou que a realização de lucros por investidores, as previsões de chuvas nas regiões produtoras norte-americanas e a queda do petróleo contribuíram para o movimento de baixa nas cotações internacionais.
Segundo a entidade, a desvalorização do petróleo reduz parte do suporte indireto ao algodão, já que torna o poliéster mais competitivo em relação à fibra natural.
Mercado interno adota postura mais cautelosa
No mercado brasileiro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que a trajetória de alta dos preços da pluma perdeu força nos últimos dias.
A combinação entre as baixas externas e a postura mais cautelosa dos compradores reduziu o ritmo dos negócios no mercado doméstico.
Segundo o Cepea, muitos agentes seguem aguardando maior clareza sobre o comportamento das cotações internacionais antes de avançar em novas negociações, especialmente diante das incertezas sobre demanda global, petróleo e condições climáticas nos Estados Unidos.
Mesmo com a volatilidade recente, o forte desempenho das exportações mantém o algodão brasileiro em posição estratégica no comércio internacional de fibras em 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
























