Mercado Externo: clima global sinaliza transição e maior volatilidade
As projeções climáticas globais apontam para um período de transição no sistema El Niño–Oscilação Sul (ENOS), com predominância de neutralidade entre o outono e o início do inverno no Hemisfério Sul. Modelos internacionais indicam cerca de 60% de probabilidade de neutralidade entre março e maio, subindo para 70% entre abril e junho, cenário que deve se estender até julho.
No entanto, há um sinal crescente de aquecimento no Pacífico Equatorial ao longo do segundo semestre de 2026, elevando o risco de formação de um novo El Niño. Paralelamente, anomalias positivas na temperatura da superfície do mar também são observadas em outras regiões, como o Atlântico Sul, ampliando os efeitos sobre o clima global.
Mercado Interno: irregularidade climática desafia planejamento agrícola
No Brasil, o cenário reforça a necessidade de cautela no agronegócio. A combinação entre neutralidade do ENOS e o aquecimento global tende a gerar chuvas irregulares, temperaturas acima da média e impactos desiguais entre regiões produtoras.
A irregularidade espacial e temporal das precipitações surge como o principal desafio no curto prazo. Enquanto algumas áreas podem registrar volumes acima da média, outras enfrentam estiagens localizadas, dificultando o planejamento das atividades no campo.
Além disso, episódios recentes de excesso de chuva em estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais evidenciam que o problema não é apenas a falta, mas também o excesso de precipitação, que pode atrasar colheitas e comprometer janelas de plantio.
Preços: clima aumenta risco de volatilidade nas commodities
O cenário climático mais instável tende a elevar a volatilidade nos mercados agrícolas. A incerteza sobre produtividade, especialmente em culturas sensíveis ao regime hídrico, pode impactar diretamente a formação de preços.
Culturas como milho safrinha, café e cana-de-açúcar ficam no radar dos investidores, já que oscilações climáticas podem influenciar tanto a oferta quanto a qualidade da produção, refletindo nas cotações internas e externas.
Indicadores: sinais mistos entre recuperação e risco produtivo
Apesar das incertezas, a umidade acumulada nos últimos meses favorece a perspectiva de uma supersafra de grãos em 2025/2026. Esse cenário também contribui para a recuperação parcial de culturas perenes, como café e cana, especialmente em regiões com melhor reposição hídrica.
Por outro lado, há preocupação com a safrinha de milho. A possível intensificação da corrente de jato subtropical pode dificultar o avanço de frentes frias, reduzindo chuvas no Centro-Oeste e Sudeste e antecipando o fim do período chuvoso em estados estratégicos como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Esse movimento pode comprometer fases críticas do desenvolvimento das lavouras, afetando produtividade e formação de biomassa.
Análise: segundo semestre exige atenção redobrada do agro
O segundo semestre de 2026 entra no radar como um período de maior risco climático. A possível combinação entre El Niño e o Dipolo Positivo do Índico (+IOD) pode intensificar eventos extremos, com maior probabilidade de seca em regiões da Oceania e também no Norte e Nordeste do Brasil.
Esse cenário aumenta o risco para cadeias agrícolas estratégicas e pode gerar impactos relevantes sobre oferta global e preços. Diante disso, especialistas reforçam a importância de uma gestão ativa de risco climático, com planejamento mais conservador e estratégias que considerem maior margem de segurança.
Em um ambiente climático cada vez mais errático, decisões no campo precisam ir além dos padrões históricos e incorporar a crescente incerteza como fator central na estratégia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


























