Um impasse judicial envolvendo um estudante de Medicina da Uniderp – Anhanguera Educacional Participações tem gerado revolta e preocupação. Mesmo após decisões judiciais favoráveis, o aluno afirma que a instituição segue descumprindo determinações da Justiça e o submete a uma situação de instabilidade acadêmica e emocional.
O caso envolve um estudante que ingressou com ação judicial para garantir a regularização de sua matrícula no 4º semestre do curso e a validação no 5º semestre, após ter frequentado regularmente as aulas e realizado avaliações, mesmo sem ter conseguido formalizar a matrícula dentro do prazo.
Em decisão proferida no dia 12 de janeiro de 2026, o juiz Flávio Renato Almeida Reyes reconheceu a probabilidade do direito do estudante e determinou que a universidade realizasse sua matrícula, assegurando a continuidade acadêmica e impedindo que fosse considerado desistente. A decisão estabeleceu prazo de 48 horas para cumprimento, sob pena de multa diária.
Apesar da ordem judicial, o problema não foi solucionado. Segundo o aluno, a instituição realizou parcialmente a matrícula no 5º semestre, mas manteve o 4º semestre como “trancado”, desconsiderando completamente as frequências e avaliações já realizadas.
Diante disso, a defesa voltou a acionar o Judiciário, que reforçou a decisão anterior. Em nova manifestação, o magistrado foi claro ao afirmar que a continuidade acadêmica só seria possível com o reconhecimento da assiduidade e das notas do 4º semestre, concedendo novo prazo de 48 horas para regularização e matricular o aluno no 5º semestre.
Mesmo assim, segundo o estudante, a decisão segue sendo ignorada. E o mesmo continua implorando se humilhando para Cury resolver sua situação.
Coordenação é alvo de críticas
O principal foco das críticas recai sobre o coordenador do curso de Medicina, Alexandre de Souza Cury. De acordo com relatos, o gestor teria se recusado a cumprir a decisão judicial mesmo após o aluno apresentar pessoalmente a determinação, que inclusive autorizava o uso da cópia como mandado para efetivação da matrícula.
Ainda segundo o estudante, o coordenador alegou não poder tomar providências e evitou novos contatos, mesmo diante da insistência do aluno em buscar uma solução.
Outros alunos ouvidos pela reportagem reforçam as críticas, afirmando que o coordenador “quase não aparece na faculdade” e que há dificuldade recorrente de acesso à coordenação para resolução de demandas acadêmicas.
“Alem de sem educação, o coordenador acha o dono do mundo. Trata o aluno com descaso. Pensa que é o dono da faculdade. Precisamos fazer um baixo assinado para tentar resolver todos os impasses que vem se arrastando por causa do Cury. A Uniderp não pode fazer isso com o aluno.”, disse uma aluno do 6 semestre que preferiu não se identificar.
Outro aluno do 7 semestre, disse que já teve que recorrer nos altos calão da Anhanguera para conseguir resolver uma situação, pois o coordenador faz corpo mole. “Ele não dá moral pra gente. Ele vem na faculdade o dia que ele bem entende e quando vem, parece que vem com raiva”, expressou o aluno que não quis se identificar.
Impactos emocionais e acadêmicos
A situação tem causado prejuízos significativos ao estudante. Além de perder o vínculo com a turma original, com a qual estava desde o início do curso, ele relata estar enfrentando crises de ansiedade e episódios de pânico diante da insegurança gerada pelo impasse.
“É um desgaste enorme. Mesmo com decisão judicial, nada é resolvido. Você se sente desrespeitado, impotente. Já fui várias vezes tentar falar com o Cury. Já pedi. Já implorei. Me humilhei pra ele, mas ele disse que não pode fazer nada. Tudo isso me deu ansiedade. Crise do pânico. Estou desestabilizado emocionalmente. Estão me matando por dentro. Só não uma loucura comigo mesmo porque sou uma pessoa centrada. ”, relatou desabafando o aluno.
O caso levanta questionamentos sobre o cumprimento de decisões judiciais por instituições de ensino e o papel da gestão acadêmica na mediação de conflitos que impactam diretamente a vida dos alunos.
Próximos passos
O processo segue em tramitação e pode resultar em novas sanções à instituição, inclusive com aplicação de multa pelo descumprimento reiterado da ordem judicial. Enquanto isso, o estudante aguarda uma solução definitiva que garanta seu direito de prosseguir regularmente no curso de Medicina, conforme já reconhecido pela Justiça.
Outro Lado
Procurado pela reportagem, Cury não foi localizado nem em sua clinica médica e nem na faculdade Uniderp. Segundo informações da própria Uniderp, o mesmo quase não vai na faculdade.


























